Amazonas – O ex-governador do Amazonas, Wilson Lima, encontra-se na situação mais delicada de sua trajetória política. Mais do que o risco iminente de ficar inelegível e impedido de disputar vagas no Legislativo, Lima enfrenta o fantasma real da prisão. O processo que tramita no Superior Tribunal de Justiça (STJ), sob o número 2020/0092882-6, apura o escândalo da compra de 28 ventiladores pulmonares durante a fase mais crítica da pandemia de Covid-19, e uma eventual condenação por crimes como organização criminosa e peculato pode resultar em duras penas cumulativas atrás das grades.
Segundo o Ministério Público Federal (MPF), a aquisição dos equipamentos de saúde ocorreu sem licitação e com um superfaturamento flagrante. A denúncia detalha o percurso do dinheiro público: os aparelhos foram vendidos inicialmente por uma empresa de equipamentos hospitalares por R$ 2,4 milhões para a FJAP Importadora — um estabelecimento que, curiosamente, era registrado como uma loja de vinhos. No mesmo dia, o Estado do Amazonas adquiriu esses mesmos produtos da importadora por R$ 2,9 milhões, gerando um sobrepreço de R$ 500 mil.
Acusações contra Wilson Lima
O cerco do MPF contra o ex-mandatário é pesado. A procuradoria acusa Wilson Lima não apenas de participação, mas de atuar como líder de uma organização criminosa instalada no alto escalão do Executivo estadual. Os autos apontam que Lima indicou o empresário Gutemberg Leão Alencar para intermediar a compra com a Secretaria de Saúde (Susam), acompanhou os trâmites, recebeu os equipamentos pessoalmente e até promoveu divulgação oficial do recebimento um dia antes da assinatura do contrato superfaturado, evidenciando ciência total da operação. Ele também responde por tentar embaraçar as investigações.
O fator Nancy Andrighi e o risco de prisão
Apesar da defesa ter conseguido no ano passado o arquivamento de um inquérito secundário sobre o transporte dos respiradores, a Ação Penal principal (APn nº 993 / DF) segue firme. O maior sinal de alerta para o ex-governador, no entanto, veio com a última movimentação do processo.
A ação, que corre com prioridade de tramitação, foi redistribuída por sorteio no último dia 17 de junho para a Ministra Nancy Andrighi, da Corte Especial do STJ. Conhecida nos bastidores de Brasília por seu perfil “casca grossa” e implacável contra crimes de colarinho branco, Andrighi é a mesma magistrada que conduz com mão de ferro a ação penal que encurralou o alto escalão do governo do Acre. A chegada do processo às mãos de uma ministra que tem o histórico de não aliviar para esquemas de corrupção sinaliza que a Justiça pode ser severa. Se condenado, as penas cumulativas podem garantir que Wilson Lima acerte suas contas não apenas longe das urnas, mas cumprindo longos anos de prisão.

