O ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou que a decisão sobre a retirada da subvenção de R$ 0,44 por litro da gasolina será adiada para a próxima semana. De acordo com Durigan, a alta recente do petróleo, decorrente de tensões internacionais, motivou essa decisão.
“Nesta semana, planejava anunciar a retirada da subvenção, mas vou analisar isso na próxima semana. O impacto do preço da gasolina já está diferente do que eu havia previsto”, disse o ministro durante entrevista à Rádio Gaúcha.
A proposta do governo é, eventualmente, eliminar a subvenção da gasolina, de maneira parcial ou total, dependendo da oscilação dos preços do petróleo nos dias seguintes. Ele comentou que a situação atual é bastante instável, especialmente devido aos conflitos entre os Estados Unidos e o Irã.
Decisão a Dependência do Petróleo
Com uma estratégia clara em mente, Durigan frisou que o governo está monitorando a situação no Oriente Médio, onde a incerteza persiste. Mesmo com esforços de negociação, as tensões entre Israel, Irã e Estados Unidos seguem impactando os preços internacionais do petróleo.
“Não vamos demorar para tomar uma decisão, pois isso pode afetar não apenas os caminhoneiros, mas também o escoamento da safra e os preços dos alimentos”, alertou o ministro.
O preço do barril de petróleo, que alcançou US$ 120 durante os momentos mais críticos, caiu para a faixa entre US$ 70 e US$ 72 na semana passada. Contudo, houve um novo aumento, chegando perto de US$ 80, o que exige cautela na retirada dos subsídios.
Retirada de Subsídios e Impactos Econômicos
Na semana anterior, o governo já havia reduzido parcialmente a subvenção ao diesel, diminuindo o benefício de R$ 1,47 para R$ 1,12 por litro. A Petrobras, no mesmo dia, praticou uma redução de R$ 0,35 por litro no preço do diesel vendido às distribuidoras, enquanto suspendia um desconto temporário no mesmo valor.
“Tivemos cuidado ao remover a subvenção do diesel e já finalizamos a compensação dos estados sobre o ICMS”, afirmou Durigan. A alta do petróleo, no entanto, dificultará a avaliação sobre a retirada do restante da subvenção ao diesel.
Além da subvenção federal ao diesel, o acordo com os estados a respeito do ICMS foi encerrado, o que complica ainda mais a situação fiscal. Durigan destacou que o governo está empenhado em agir com rapidez para que as decisões não impactem negativamente a economia.
Aumento da Mistura de Biocombustíveis
Apesar das dificuldades, Durigan garantiu que a alta do petróleo não afetará os planos do governo para expandir o uso de biocombustíveis. Aumentar a mistura de etanol na gasolina, que deve passar de 30% para 32%, está previsto para acontecer “nos próximos dias”.
“A implementação do 32% está próxima e se tornará realidade em breve”, declarou. A reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), que também discutiria o aumento da mistura, foi adiada devido às flutuações nos preços do petróleo. No entanto, isso não deve interferir na ampliação da participação do etanol na gasolina.
Com as novas medidas e a tomada de decisões cautelosas, o governo busca garantir a estabilidade no mercado e proporcionar uma resposta rápida as variáveis econômicas que impactam os combustíveis e o cenário de transporte no Brasil. A preocupação com caminhoneiros, safra e preços alimentares permanece central na agenda do ministro Dario Durigan.
Trabalhar com moderação nas políticas de subsídio é uma prioridade, uma vez que a volatilidade do petróleo continua a influenciar todos os setores da economia. Portanto, o governo está determinado a solicitar um acompanhamento próximo dos desenvolvimentos internacionais e de suas repercussões na economia nacional.

