Estudantes de Parintins recorrem à Justiça por mudanças no SIS

21/08/2026 13:07 21/08/2026 13:07 21/08/2026 13:07
Estudantes de Parintins recorrem à Justiça por mudanças no SIS

Seis estudantes do interior do Amazonas buscam justiça em relação às novas regras de distribuição de vagas do Sistema de Ingresso Seriado (SIS) da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). A mudança, que afeta a concorrência para vagas em cursos como Enfermagem e Direito, ocorreu após uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que considerou inconstitucional a reserva de vagas com base na procedência regional.

Questões Legais e Mudanças nas Regras

Os estudantes iniciaram sua participação no SIS em 2024 e já haviam realizado duas das três etapas do processo seletivo quando as regras foram alteradas. Os Mandados de Segurança estão aguardando análise e buscam garantir que o esforço despendido nos últimos dois anos seja reconhecido. A principal preocupação é que o grupo específico destinado a estudantes do interior foi desmantelado. Por exemplo, no SIS 2026, que será utilizado para ingresso em 2027, as vagas anteriormente reservadas para o Grupo K, que atendia a essas escolas, não existem mais.

Os alunos não contestam a decisão do STF, mas argumentam que deveria haver uma regra de transição que levasse em conta aqueles que já estavam em processo de seleção quando os critérios mudaram. Isso se tornará vital para garantir que sua preparação não tenha sido em vão.

Frustração dos Alunos e Impacto Pessoal

A estudante Ágatha Marialva, de 17 anos, expressou seu desânimo com a mudança ao dizer que sua preparação foi baseada na nota de corte anterior. Ao obter 66 pontos acumulados nas duas etapas, ela estava confiante de que poderia atingir a meta necessária para o curso de Enfermagem. A mudança de regras, no entanto, não apenas afetou suas expectativas, mas também impactou profundamente sua jornada.

“Foi um baque muito grande para mim. Passamos dois anos nos preparando, e agora, quando estamos prestes a concluir, tudo muda”, lamentou. Para muitos desses estudantes, a chance de ingressar em uma universidade pública é um passo crucial para o futuro, sendo a única opção viável em relação às faculdades privadas, muitas vezes inacessíveis.

A também estudante do interior, Theranna Goes, de 18 anos, mostrou-se preocupada com a falta de equidade nas condições de competição. Ela ressaltou como a preparação para entrar na universidade a partir de uma escola pública no interior é bem diferente daquela nos centros urbanos, onde a infraestrutura educacional é mais robusta. Theranna acredita que as oportunidades que um estudante de interior possui em comparação com um da capital devem ser consideradas.

Preparação e Desafios Enfrentados

Especialistas, como Maria Lenilda Glória Ferreira, que há mais de 20 anos prepara alunos para vestibulares em Parintins, reconhecem esses desafios exclusivos enfrentados pelos alunos do interior. Apesar de serem dedicados e determinados, eles lidam com limitações significativas em termos de acesso a recursos educacionais e suporte preparatório.

“O estudante do interior não é menos capaz. Eles enfrentam obstáculos que precisam ser superados para chegar ao mesmo nível de preparo de seus colegas urbanos”, explica Lenilda. A necessidade de uma regra de transição que respeite o esforço desses estudantes é um dos pilares do movimento em curso. A frustração é evidente, não apenas nos alunos, mas nas famílias que têm acompanhado seus esforços nos últimos anos.

Os representantes legais dos estudantes argumentam que a mudança repentina na distribuição de vagas após dois anos de preparação não é justa. O pedido é simplesmente que a situação dos alunos que já estão em fase avançada no SIS seja respeitada, permitindo que façam a terceira prova e disputem as vagas disponíveis com base na trajetória que já seguiram.

A UEA ainda não se manifestou oficialmente sobre os questionamentos dos alunos e a possibilidade de uma regra de transição. Enquanto isso, o futuro desses estudantes permanece incerto, mas a determinação deles em buscar justiça e igualdade nas condições de ingresso em universidades públicas continua forte.