Brasil – O mercado pecuário brasileiro atingiu um patamar sem precedentes nesta semana. Na última quarta-feira, dia 15, o preço da arroba do boi gordo cravou o recorde de R$ 373,30 (equivalente a 73,58 dólares), segundo dados do Cepea. O movimento é o resultado de uma tempestade perfeita que une ciclos biológicos da pecuária, tensões geopolíticas no Oriente Médio e uma crise histórica no rebanho norte-americano.
Abaixo, detalhamos os três pilares que sustentam essa escalada e o que esperar para os próximos meses.
Crescimento do Mercado Pecuário
O principal fator interno para a disparada é o próprio ciclo pecuário. Atualmente, os produtores brasileiros estão em uma fase de retenção de fêmeas. Com a valorização do bezerro, o pecuarista opta por segurar as matrizes para procriação em vez de enviá-las ao abate. O resultado imediato é a escassez de animais prontos para o mercado, o que empurra os preços para cima devido à baixa oferta.
Tensões Geopolíticas e Preços da Carne
O cenário internacional nunca foi tão determinante para o preço do churrasco brasileiro. Dois gigantes ditam o ritmo: os Estados Unidos, que enfrentam sua pior crise pecuária em 75 anos, e a China, que estabeleceu cotas rígidas para 2026. O Brasil deve preencher sua cota de 1,1 milhão de toneladas até o final de maio. O receio de uma sobretaxa de 55% após esse limite tem acelerado os embarques.
Além disso, o conflito no Oriente Médio (envolvendo EUA, Israel e Irã) pressionou o preço do petróleo. A alta do diesel encarece o frete e os insumos, elevando o custo de produção dentro da porteira.
Expectativas e Volatilidade no Setor
Apesar do recorde, o mercado dá sinais de volatilidade. O que pode acontecer em breve? O preenchimento da cota chinesa pode deixar um excedente de carne no Brasil, baixando o preço interno. Além disso, o consumo enfraquecido pode forçar o varejo a ajustar as margens.
Em contrapartida, casos confirmados de febre aftosa na China podem forçar o país a revisar cotas e importar ainda mais do Brasil. Somado a isso, a crise contínua nos EUA mantém a demanda externa muito aquecida.
Mato Grosso do Sul consolidou-se como o quarto maior exportador de carne do país no primeiro trimestre de 2026. A receita de exportação cresceu impressionantes 44,1%, saltando para 488,2 milhões de dólares. A China continua sendo o principal destino, com 31% da receita, seguida de perto pelos Estados Unidos, com 24%, que se consolidam como um parceiro estratégico fundamental neste novo desenho do mercado global.

