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Caso Benício: Vídeo da médica pode ter sido falsificado

Caso Benício: Vídeo da médica pode ter sido falsificado

Manaus – O delegado Marcelo Martins afirmou nesta segunda-feira (23) que a médica Juliana Brasil teria apresentado à Justiça um vídeo adulterado para tentar atribuir a responsabilidade da morte do menino Benício Xavier ao sistema do Hospital Santa Júlia. Segundo a autoridade policial, a conduta pode configurar crime de fraude processual.

Durante uma entrevista, o delegado afirmou que a investigação encontrou indícios de manipulação do material apresentado pela defesa da médica. Mensagens encontradas no celular da investigada indicam que o vídeo foi produzido mediante pagamento. O aparelho foi analisado após autorização judicial.

“Durante a extração do celular da médica Juliana Brasil, nós tivemos acesso a mensagens que indicavam que ela comprou aquele vídeo que apresentou ao TJAM e à imprensa para alegar que o erro teria sido do sistema e não dela”, destacou o delegado.

Produção do Vídeo e Envolvimento de Outros

Ainda segundo ele, a produção do material teria contado com a ajuda de outras pessoas. Entre elas estariam uma médica identificada como Luiza e a irmã da investigada, que teriam auxiliado na busca por uma profissional de outro hospital para gravar o conteúdo.

“Nós comprovamos que ela contou com ajuda de uma médica chamada Luiza e da própria irmã para localizar essa pessoa de outro hospital. Essa mulher teria feito o vídeo alterado, nas palavras dela mesma, mediante pagamento”, declarou.

A investigação também aponta que o vídeo apresentado não reproduz o ambiente real do atendimento ocorrido no dia da morte da criança. Segundo o delegado, o material foi produzido em um hospital diferente, utilizando outros mecanismos do sistema hospitalar para gerar um resultado distinto.

Laudos Técnicos e Conclusões

Uma perícia técnica realizada pela Polícia Civil do Amazonas também descartou falha no sistema utilizado pelo hospital. Conforme a análise, o programa não altera automaticamente a via de administração dos medicamentos, como foi alegado inicialmente. “O sistema não tinha nenhum defeito. Ou seja, o erro foi dela mesmo”, afirmou o delegado, acrescentando que o software é utilizado há anos em diversos hospitais do país.

O menino Benício Xavier morreu em 23 de novembro do ano passado após receber uma dose elevada de adrenalina durante atendimento no Hospital Santa Júlia, em Manaus. De acordo com as investigações, a médica teria prescrito uma dose incorreta do medicamento, que foi aplicado pela técnica de enfermagem Raiza Bentes por via intravenosa.

Possibilidade de Novos Crimes

A Polícia Civil agora avalia incluir um novo crime no inquérito. Segundo o delegado Marcelo Martins, a suposta falsificação do vídeo pode caracterizar fraude processual e ampliar a responsabilização não apenas da médica, mas também de outras pessoas que teriam participado da produção do material.

A investigação aguarda agora os laudos do Instituto Médico Legal (IML) para a conclusão do relatório final que deverá apontar quem será formalmente indiciado no caso.

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