Polícia recupera 12 toneladas de produtos de informática em Manaus

Manaus – A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), por meio do 1° Distrito Integrado de Polícia (DIP), recuperou uma carga de cerca de 12 toneladas contendo suprimentos de informática que haviam sido desviados a partir de um golpe com compra de boleto falso, no estado de Santa Catarina. O material está avaliado em mais de R$ 500 mil e foi encontrado no bairro Novo Aleixo, zona norte.

De acordo com o delegado Cícero Túlio, dentre os bens apreendidos, foram recuperados mais de 10 mil quilômetros de cabos de fibra óptica, além de mais de mil roteadores.

Esse desvio de mercadorias é um exemplo de como os golpes de compra falsa afetam o comércio. “As investigações decorrem do desdobramento de outra investigação que culminou com a prisão de uma quadrilha há cerca de um ano, oportunidade em que foram recuperadas cerca de 2 toneladas de mercadorias desviadas do Pará, dentre produtos químicos de limpeza e impressoras industriais de alto valor”, relatou o delegado.

Conforme o delegado, o esquema do grupo faz parte do golpe da falsa compra de mercadorias, com cartões clonados que operam no Amazonas. “Os criminosos inicialmente conseguem comprar na internet de forma clandestina, utilizando dados de cartões de crédito das próprias vítimas, mantendo contato com diversas empresas de vários ramos e atividades, as convencendo a realizar as vendas através de links de cartões de crédito”, disse o delegado.

Após a concretização das negociações, os produtos são enviados por transportadoras interestaduais, antes mesmo que as vítimas identifiquem a fraude. “Depois que a compra clandestina é identificada, é promovida a restrição do ato da compra junto às operadoras de cartão de crédito que impedem os pagamentos para os empreendimentos que venderam os produtos”, explicou Cícero Túlio.

Esquema e Falsificação de Documentos

Ainda com base nas investigações, o grupo criminoso passou a sofisticar suas ações com a falsificação de documentos cadastrais e fiscais, com o objetivo de induzir empresas de outros estados a emitir boletos para os pagamentos. “Isso possibilita ao grupo ganhar tempo, pois as vítimas somente tomam conhecimento do golpe após a data prevista para compensação do boleto bancário. Durante o trâmite para concretizar o golpe, os integrantes dos grupos utilizam a estratégia de efetuar o pagamento de compras de valores inferiores a R$ 10 mil, por cerca de três semanas, conquistando a confiança dos comerciantes, que acabam cedendo a negociações cada vez maiores, superando valores de mais de R$ 300 mil”, proferiu Cícero Túlio.

Aluguel de Galpões e Ação Policial

Para concretizar os seus golpes, os criminosos alugam galpões poucos dias antes da chegada dos materiais. Em curto espaço de tempo, montam placas e fachadas com nomes de empresas falsas ou de empresas que serão as vítimas, tudo para manter uma aparência de legalidade. Durante as diligências, três homens foram conduzidos à delegacia para prestar esclarecimentos, tendo sido identificados como as pessoas que alugaram o imóvel usado pelo bando para receptar as mercadorias.

A Polícia orienta que, sempre que alguém for procurado para alugar um imóvel que sirva de galpão para o recebimento imediato de grandes volumes de cargas oriundas de outros estados ou municípios, que sinalize imediatamente aos órgãos policiais, evitando assim a participação em ações ilícitas e clandestinas.

As investigações continuam para identificar os responsáveis pelos crimes, e informações preliminares indicam que uma grande carga de pneus obtida com o golpe está prestes a chegar em Manaus.

Denúncias e Colaboração

Qualquer informação que leve à identificação dos suspeitos e à chegada de outras cargas clandestinas poderá ser encaminhada ao 181 disk denúncia da Secretaria de Segurança Pública ou ao WhatsApp denúncia do 1° DIP (92) 99118-9177. A identidade do denunciante será preservada no mais absoluto sigilo.