Brasil – O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, anunciou a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 18/2025, conhecida como PEC da Segurança Pública, para a próxima terça-feira (3), às 16h. A proposta, que tramitou em regime acelerado, busca uma reestruturação profunda no combate ao crime organizado no país, apresentando novas diretrizes que prometem alterar significativamente a segurança pública.
Estratégias de Segurança e Financiamento
A PEC, apresentada pelo Poder Executivo e modificada pelo relator, senador Rogério Carvalho (PT-SE), enfatiza a integração dos órgãos de segurança das diferentes esferas da Federação. Um dos principais marcos do projeto é a formalização do Sistema Único de Segurança Pública (Susp) na Constituição, o que assegura um alinhamento nas diretrizes e no financiamento de recursos destinados à segurança pública do Brasil.
No que tange ao financiamento, o relator vetou o uso de recursos provenientes das apostas esportivas, mas assegurou que 10% do superávit do Fundo Soberano do Pré-Sal será destinado à segurança pública, contribuindo para o fortalecimento da infraestrutura e das ações de combate ao crime.
Medidas Rigorosas Contra o Crime Organizado
O foco central da PEC é o endurecimento das penas para líderes e membros de facções criminosas, milícias e grupos paramilitares. O texto propõe um regime penal rigoroso com penas escalonadas baseadas na hierarquia da organização criminosa, prevendo cumprimento de pena em presídios de segurança máxima e uma série de restrições aos condenados, como a proibição da progressão de regime e suspensão de benefícios processuais.
Outro aspecto crucial da proposta é a possibilidade de confisco de bens relacionados ao crime, sem direito a indenização. Será possível também a responsabilização de empresas que colaboram com atividades ilícitas, assim como a ampliação da proteção a denunciantes e seus familiares, visando um ambiente mais seguro para quem deseja ajudar na luta contra o crime.
Debate Sobre a Maioridade Penal e Emendas Diversas
O debate no Plenário do Senado promete ser intenso, especialmente com a inclusão de emendas que sugerem mudanças significativas, como a redução da maioridade penal. O senador Camilo Santana (PT-CE) propõe a redução para 16 anos exclusivamente em casos de crimes hediondos, enquanto o senador Rogério Marinho (PL-RN) busca a responsabilização de jovens a partir dos 16 anos como regra geral, com possibilidade de redução para 14 anos em crimes graves como tortura e tráfico.
Ademais, outras emendas visam redirecionar as ações de segurança pública. Carlos Portinho (PL-RJ) sugere que uma parte do Fundo Nacional de Segurança Pública seja utilizada para financiar operações das Forças Armadas em ações de Garantia da Lei e da Ordem nas fronteiras. Já Eduardo Gomes (PL-TO) propõe que agentes de trânsito e órgãos socioeducativos sejam oficialmente reconhecidos como órgãos de segurança pública na Constituição, evidenciando a necessidade de uma abordagem integrada nas diversas áreas envolvidas na segurança.
Abordagem Paralela em Saúde e Cooperação Internacional
Além da PEC da Segurança Pública, outras pautas estão na agenda do Senado, incluindo acordos internacionais de cooperação em Defesa com a Guiana e em Ciência Espacial com a Venezuela. No âmbito social e de saúde, destaca-se a campanha “Setembro em Flor”, que visa a prevenção de cânceres ginecológicos, juntamente com projetos de conscientização sobre parentalidade positiva, que promovem a educação infantil com base no diálogo e sem violência.
A busca por ferramentas e estratégias eficazes para um Brasil mais seguro está em destaque, refletindo a urgência que a sociedade atual demanda. A aprovação da PEC e demais propostas pode ser um divisor de águas na maneira como a segurança pública é gerida, buscando entregar resultados concretos em um cenário complexo e desafiador.

