Após ação movida pelo PSD, TRE-AM suspende pesquisa eleitoral

10/06/2026 11:18 10/06/2026 11:18 10/06/2026 11:18
Após ação movida pelo PSD, TRE-AM suspende pesquisa eleitoral

Manaus – A recente decisão liminar da Justiça Eleitoral do Amazonas, que suspendeu a divulgação da pesquisa AM-03377/2026, realizada pelo Instituto Veritá Ltda, levanta questões importantes sobre a integridade das informações eleitorais. O levantamento, que mostrava a empresária e pré-candidata Maria do Carmo Seffair (PL) liderando a corrida pelo Governo do Amazonas nas eleições de 2026, se tornou um foco de contestações políticas e técnicas.

Polêmica em torno da Pesquisa Eleitoral

A ação que resultou na suspensão da pesquisa partiu do Partido Social Democrático (PSD), liderado pelo senador Omar Aziz, que também é pré-candidato ao governo. A juíza Maria Auxiliadora Benigno, responsável pela decisão, destacou não apenas a seriedade das acusações, mas também as falhas evidentes na metodologia aplicada pelo Instituto Veritá.

Irregularidades Técnicas e Metodológicas

O relatório técnico apresentado pelo PSD evidenciou inconsistências preocupantes na coleta de dados do Instituto Veritá. Das 1.220 entrevistas alegadas, aproximadamente 380 tinham registros idênticos em todos os campos analisados, o que representa cerca de 62% da amostra total. Essa duplicação aponta para a possibilidade de replicação artificial de informações, o que coloca em dúvida a confiabilidade do levantamento.

Além disso, outras irregularidades foram identificadas, como a incompatibilidade de datas. A pesquisa afirmava que a coleta ocorreu entre 23 e 28 de abril de 2026, porém, os microdados não mostraram entrevistas realizadas no dia 23. Outro ponto crítico foi a falta de dados na coluna destinada aos números de contato dos entrevistados, crucial para as auditorias prometidas pelo instituto. As contradições metodológicas também chamaram a atenção, com incoerências nas abordagens probabilísticas usadas na seleção dos entrevistados.

Consequências da Decisão Judicial

A suspensão da pesquisa eleitoral tem implicações diretas na pré-campanha para 2026, afetando o cenário em que Maria do Carmo Seffair estava em evidência. A repercussão da decisão é ampla, e em caso de descumprimento, foi estabelecida uma multa diária de R$ 10 mil. O caso será encaminhado para o Ministério Público Eleitoral e para o Conselho Regional de Estatística, o que pode gerar penalidades adicionais para o Instituto Veritá.

A polêmica se intensifica, pois há questionamentos sobre o histórico da juíza Maria Auxiliadora Benigno, que já atuou como advogada do partido de Omar Aziz. Este vínculo profissional, aliado às falhas evidentes na pesquisa, trouxe inquietude aos bastidores políticos, onde a imparcialidade das decisões judiciárias é fundamental em um período eleitoral. Muitos críticos se perguntam como isso poderia impactar a gestão do pleito e a credibilidade do processo eleitoral no estado.

Por enquanto, a decisão mantém os dados da pesquisa fora de circulação, mas aguarda um julgamento definitivo sobre a metodologia do Instituto Veritá. A possibilidade de repercussões jurídicas e políticas continua a afetar a atmosfera eleitoral, especialmente para os pré-candidatos que buscam se estabelecer nas preferências do eleitorado.

Enquanto isso, a corrida para o Governo do Amazonas se intensifica cada vez mais, e as ações judiciais relacionadas a pesquisas eleitorais podem moldar o futuro político da região. Em um cenário onde a confiabilidade das informações é vital, a integridade do processo eleitoral permanece sob escrutínio.