O gabinete do vereador Rosinaldo Bual continua a gerar custos significativos aos cofres públicos, mesmo após seu afastamento das atividades na Câmara Municipal de Manaus (CMM). Entre outubro de 2025 e junho de 2026, os pagamentos destinados aos servidores do gabinete chegaram a R$ 1,54 milhão, de acordo com dados das folhas salariais da Câmara.
No período em questão, 45 servidores receberam remuneração. Após os descontos, o valor líquido pago chegou a aproximadamente R$ 1,46 milhão. Este dado é alarmante, especialmente considerando que Bual está afastado do seu mandato desde outubro do ano passado, quando foi preso em uma investigação sobre suspeita de “rachadinha”.
Continuidade dos pagamentos
A folha de pagamento do gabinete se manteve ativa, mesmo na ausência do vereador. Em vários meses do intervalo analisado, os pagamentos superaram R$ 150 mil. O montante mais alto foi registrado em dezembro de 2025, quando a folha bruta dos servidores atingiu R$ 222,7 mil, impulsionada, em parte, pelos pagamentos típicos de final de ano.
No mês de junho de 2026, o valor pago aos funcionários vinculados ao gabinete foi de aproximadamente R$ 170,2 mil. A continuidade dessa estrutura de pessoal levanta questões sobre a gestão e utilização dos recursos públicos, especialmente em um contexto de crise administrativa.
Remuneração do vereador mesmo afastado
Os gastos não se limitaram apenas aos assessores. Durante os nove meses analisados, Rosinaldo Bual recebeu remunerações que totalizaram R$ 234,7 mil em valores brutos. Após os descontos, o montante líquido ficou em cerca de R$ 172 mil. Essa situação é ainda mais preocupante, uma vez que o parlamentar permanece afastado devido a uma determinação judicial.
A investigação e suas implicações
A prisão de Bual em 3 de outubro de 2025 foi parte de uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), ligada ao Ministério Público do Amazonas. A investigação visa apurar suspeitas de um possível esquema de “rachadinha” no gabinete, onde se presume que servidores devolvam parte de seus salários ao vereador ou a pessoas ligadas a ele.
É importante ressaltar que as suspeitas estão sob investigação e não constituem uma condenação definitiva. Além da esfera criminal, o mandato de Bual enfrenta um pedido de cassação apresentado pelo Comitê Amazonas de Combate à Corrupção, e o Ministério Público também está acompanhando a tramitação do caso na Câmara Municipal.
Enquanto a situação judicial e política do vereador continua sem uma resolução clara, os dados mostram que os pagamentos relacionados ao gabinete ainda movimentam significativos recursos públicos. A Câmara Municipal de Manaus foi contatada para esclarecer a manutenção da estrutura e dos pagamentos durante o afastamento do parlamentar, mas até o momento não houve resposta.
Este cenário evidencia a necessidade de um escrutínio mais rigoroso sobre como os recursos públicos estão sendo geridos, principalmente em casos envolvendo servidores afastados por questões judiciais. O desvio de verbas e possíveis práticas de corrupção demandam atenção e ação não apenas das autoridades competentes, mas também de uma sociedade mais engajada na fiscalização das ações de seus representantes.
A investigação em curso, junto com o pedido de cassação, poderá influenciar diretamente a continuidade do mandato de Rosinaldo Bual. Diante disso, a população aguarda um desfecho que traga mais clareza sobre o uso dos recursos públicos e as responsabilidades de seus gestores.
Os links que contêm as informações relacionadas à remuneração dos servidores podem ser acessados abaixo:
Remuneração Nominal dos Servidores e Agentes Públicos – Parte 1
Remuneração Nominal dos Servidores e Agentes Públicos – Parte 2
Remuneração Nominal dos Servidores e Agentes Públicos – Parte 3
Remuneração Nominal dos Servidores e Agentes Públicos – Parte 4
Remuneração Nominal dos Servidores e Agentes Públicos – Parte 5
Remuneração Nominal dos Servidores e Agentes Públicos – Parte 6

