Flórida ganhará novo partido de centro e mudará a política local.

Mundo – O cenário político da Flórida está prestes a ganhar um novo e inusitado capítulo. O conhecido advogado de Orlando, John Morgan, está a poucos dias de revelar o nome de seu aguardado partido político independente. E o detalhe que mais chamou a atenção do público: o autor do nome vencedor levará para casa um prêmio de US$ 100.000.

A fase de submissão de ideias foi encerrada oficialmente no dia 2 de junho, e a expectativa agora gira em torno do anúncio oficial, que deve acontecer na segunda quinzena deste mês.

A Competição e os Critérios de Julgamento

A inusitada estratégia de marketing e engajamento atraiu milhares de curiosos. Com o fim das inscrições, os nomes propostos passarão por um crivo rigoroso. De acordo com as regras oficiais, a avaliação baseia-se em três pilares principais, totalizando 10 pontos:

  • Apelo (4 pontos): O nome precisa ser cativante, gerar confiança e se conectar facilmente com um público amplo.

  • Criatividade (3 pontos): A proposta deve ser imaginativa e abordar a política de uma maneira nova e inesperada, sem perder o propósito.

  • Originalidade (3 pontos): O nome precisa ser genuinamente inédito e se sustentar como uma ideia independente.

O período de julgamento se estende até 14 de junho. A maior pontuação será revelada ao público por volta das 13h do dia 16 de junho, e o grande vencedor será notificado no dia 17. As regras são claras: foi permitida apenas uma inscrição por pessoa (sob pena de desclassificação) e, caso haja um empate perfeito com o mesmo nome, o prêmio de 100 mil dólares será dividido igualmente entre os ganhadores.

A Busca pelo Caminho do Meio

Apesar do entusiasmo com a nova legenda, John Morgan deixou claro em um vídeo recente que não será candidato a governador ou a qualquer outro cargo público. Seu objetivo é outro: criar um refúgio político para os eleitores que se sentem órfãos da polarização atual.

Falando de sua casa de férias no Havaí, Morgan resumiu a filosofia da nova sigla: “A esquerda é louca. A direita é louca. Nós estamos no meio.”

Segundo o advogado, a política na Flórida tornou-se refém de rótulos partidários, deixando as questões práticas de lado. Ele acredita que, ao retirar as letras “D” (Democrata) e “R” (Republicano) da equação, a maioria dos cidadãos concorda nas questões fundamentais.

O falecido historiador e professor da Universidade da Flórida Central (UCF), Jim Clark, já havia destacado a importância da iniciativa de Morgan quando o projeto foi anunciado no ano passado. “Há tantos eleitores independentes e sem filiação partidária quanto republicanos”, observou Clark na época. “John Morgan tem muita influência. Acredito que ele queira ver um afastamento da extrema esquerda e um retorno ao que funcionou para nomes como Barack Obama e Bill Clinton.”

O Histórico de Morgan e as Frustrações Políticas

Morgan construiu um forte capital político na Flórida liderando com sucesso duas emendas constitucionais populares: o aumento do salário mínimo e a aprovação do uso da maconha medicinal.

Conhecido pelo apelido de “Pot Daddy” da Flórida, o advogado investiu pesado na Emenda 3, que tentava legalizar o uso recreativo da maconha nas últimas eleições — proposta que acabou rejeitada pelos eleitores. Sua luta pela descriminalização é pessoal, motivada por seu falecido irmão, que utilizava a substância para lidar com as dores de um grave acidente sofrido nos parques da Disney anos atrás.

Embora tenha apoiado o presidente Joe Biden no passado, Morgan também já nutriu otimismo em relação ao atual governador da Flórida, o republicano Ron DeSantis — especialmente quando este assinou a lei da maconha medicinal em 2019. No entanto, a relação azedou recentemente, após DeSantis se posicionar contra a Emenda 3. Na visão de Morgan, o governador cedeu ao lobby das grandes empresas que já dominam o mercado medicinal e não querem concorrência no setor recreativo.

Um Tiro na Lua

Enquanto os juízes avaliam as milhares de submissões, o próprio criador do partido mantém os pés no chão quanto aos desafios de furar o bipartidarismo americano.

“Acho que há um risco enorme. Pode ser que não aconteça”, admitiu Morgan. “Mas se você não tentar, se não der um ‘tiro na lua’, você nunca chegará lá.”

No ano passado, Morgan chegou a sugerir nomes como “The People’s Party” (Partido do Povo) e “The Sunshine Party” (Partido do Estado do Sol) como rascunhos. Agora, a Flórida aguarda para ver qual foi a ideia de 100 mil dólares que representará essa nova força política de centro.