Na manhã desta sexta-feira (3), a eleição do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Amazonas (CREA-AM) foi impactada por uma decisão da Justiça Federal que promete alterar o panorama da disputa eleitoral. A juíza Jaiza Maria Pinto Fraxe concedeu uma tutela de urgência que determina a suspensão da habilitação eleitoral de profissionais que parcelaram suas anuidades de 2026 em mais de seis vezes, impedindo, assim, sua participação na votação.
A avaliação da magistrada partiu de documentos que indicam que vários profissionais foram considerados aptos a votar, mesmo tendo feito parcelamentos que parecem contradizer as normas do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (CONFEA). Os relatórios do Sistema de Informações Técnicas e Administrativas do Confea (SITAC) revelaram parcelamentos de anuidade de 2026 em até 20 parcelas, embora a Resolução nº 1.066/2015 permita o parcelamento em, no máximo, seis vezes.
Além disso, a juíza destacou a falta de qualquer norma que autorizasse a ampliação desse limite, o que pode comprometer a legitimidade do processo eleitoral. O pagamento regular da anuidade é um requisito essencial para o exercício do direito ao voto. Agindo de acordo com essa lógica, ela ordenou que o CREA-AM forneça uma relação nominal de todos os profissionais que se beneficiaram de parcelamentos superiores ao permitido.
Impactos da Decisão Judicial
A decisão da Justiça Federal foi divulgada momentos antes do início da votação, gerando grande repercussão e aumentando a tensão entre candidatos e profissionais envolvidos. Nos últimos dias, já havia denúncias de irregularidades na administração da autarquia, e agora, a intervenção judicial coloca em xeque a viabilidade e a transparência do pleito eleitoral.
O CREA-AM, agora obrigado a cumprir a determinação judicial, deve imediatamente suspender a habilitação eleitoral dos profissionais afetados. Essa suspensão não só reduz o número de eleitores aptos como também poderá ter um impacto significativo nos resultados da eleição, considerando que a regularidade financeira é um componente crítico na definição do resultado final.
Repercussões no Cenário Eleitoral
Com a decisão da juíza, a expectativa é que a invalidação da habilitação eleitoral de um número significativo de profissionais possa alterar o destino da escolha do novo presidente do CREA-AM. A presença de interesses diversos dentro da eleição pode gerar um clima ainda mais conturbado, já que o descontentamento entre os candidatos seguramente aumenta com a possibilidade de alteração no eleitorado. Essa situação gera um ambiente propício para o questionamento da legitimidade do novo presidente, independentemente do resultado.
A apreensão não se limita apenas aos candidatos, mas se estende a todos os profissionais que confiam no sistema de brechas legais criado anteriormente. A decisão, embora necessária para assegurar a transparência e a lisura do processo, também levanta questões sobre o tratamento dos profissionais que esperam ter seus direitos respeitados ao exercer sua cidadania e participar de um processo democrático.
A Próxima Etapa e o Futuro do CREA-AM
Com a continuidade do processo judicial, o CREA-AM se vê diante do desafio de esclarecer a situação dos parcelamentos e suas consequências. É provável que outras medidas sejam necessárias para garantir a regularidade do processo eleitoral. O ambiente político interno da autarquia sofrerá um teste rigoroso à medida que os trabalhadores do setor esperam soluções que respeitem suas contribuições e participação.
Além disso, há um clamor por normas mais claras para a regularidade de pagamento de anuidades e para o parcelamento, a fim de evitar que situações como essas voltem a ocorrer no futuro. A expectativa é que a autarquia tome medidas proativas para restaurar a confiança entre os profissionais e aprimorar o sistema eleitoral.
À medida que as apurações seguem sua tramitação, a presença de incertezas continuará a marcar o período eleitoral do CREA-AM. O desfecho dessa situação poderá não apenas reinventar a estrutura de governança da autarquia, mas também moldar a relação entre os profissionais de engenharia e agronomia e suas instituições representativas.

