PF investiga esquema de diamantes e garimpo ilegal na Amazônia

12/05/2026 13:09 12/05/2026 13:09 12/05/2026 13:09
PF investiga esquema de diamantes e garimpo ilegal na Amazônia

Em meio a um dos mais complexos inquéritos sobre a exploração ilegal de riquezas naturais na Amazônia, a Polícia Federal (PF) investiga um esquema de contrabando de diamantes que envolve o ex-governador de Roraima, Antonio Denarium. O caso teve início em 2020, durante uma abordagem de rotina da Polícia Rodoviária Federal (PRF) na BR-174, e agora se desdobrou em investigações focadas na conexão entre corrupção e exploração predatória.

Exploração Illegal de Riquezas Naturais

No centro deste escândalo está o empresário Fabrício de Souza Almeida, identificado como o “braço financeiro” da organização criminosa. Almeida é suspeito de gerenciar uma vasta rede de lavagem de dinheiro, utilizando empresas de fachada para movimentar bilhões, quantias que não têm justificativa dentro de qualquer operação comercial legítima.

A relação de Almeida com Antonio Denarium fornece à investigação uma dimensão política, especialmente por causa da Fazenda J. Bastos, em Iracema, propriedade que deve ser considerada no inquérito. O vinculo entre o ex-governador e as atividades ilícitas é reforçado por interações nas redes sociais, onde Denarium referiu-se a um sobrinho como “the diamond king” (o rei do diamante), insinuando uma conexão direta com o mercado de pedras preciosas.

A Dança das Transferências

O controle financeiro do grupo investigado revela um paradoxo alarmante: enquanto a empresa FB Serviços, de Fabrício Almeida, movimentou mais de R$ 6 milhões em um período curto, a companhia não conta com funcionários ou infraestrutura para justificar esse fluxo alto de capital. Segundo informações do Ministério Público Federal (MPF), o total movimentado gira em torno de R$ 64 milhões entre 2017 e 2021, evidenciando a profundidade das fraudes. Os investigadores identificaram um padrão clássico de saques em espécie e transferências entre contas, o que complica o rastreamento do dinheiro proveniente de atividades ilegais.

Além disso, relatos sobre a infraestrutura operacional do esquema mostram que a farsa se estende a questões logísticas que favorecem as atividades do garimpo ilegal e do contrabando. A operação, agora sob o olhar atento das autoridades, considera a possibilidade de que Almeida e seus cúmplices estejam envolvidos em crimes mais abrangentes, como a usurpação de bens da União.

Reincidentes e Crimes Ambientais

Fabrício Almeida não é novato neste cenário, já tendo sido preso anteriormente em 2010 durante a Operação Roosevelt, que denunciou o comércio ilegal de diamantes. Atualmente, as acusações são ainda mais sérias, com Almeida e sua tia, Vanda Garcia de Almeida, enfrentando a acusação de financiar garimpos na Terra Indígena Yanomami, cuja proteção é vital para a preservação ambiental.

Diligências da PF revelaram pagamentos a pilotos e anotações sobre a extração de minérios de terras indígenas, indicando a gravidade das ações realizadas pelo grupo. As evidências obtidas até o momento sustentam as acusações de que as atividades de exploração de recursos naturais estão diretamente ligadas a uma rede criminosa que transita entre o crime e a política local.

Os denotados respondem por organização criminosa, lavagem de dinheiro e violação das leis ambientais, atestando o impacto negativo da exploração inadequada do território amazônico sobre a biodiversidade e os direitos das populações locais.

Considerando as implicações políticas e a seriedade das acusações, agora a expectativa recai sobre as defesas dos acusados. Até o momento, as investigações permanecem sob segredo de justiça em algumas frentes, mas os elementos revelados traçam um cenário alarmante sobre a relação entre corrupção e exploração dos recursos do Brasil.

O desenrolar deste caso será crucial para entender como a política pode afetar a legalidade de atividades econômicas na região amazônica e os mecanismos que viabilizam a degradação ambiental em grande escala. A complexidade do inquérito envolvendo Antonio Denarium e seu relacionamento com o empresário Fabrício de Souza Almeida suscita questões sobre a responsabilidade de lideranças políticas em cenários de exploração predatória.