Cobrada por pacientes, SES-AM luta para resolver crise médica

01/06/2026 16:11 01/06/2026 16:11 01/06/2026 16:11
Cobrada por pacientes, SES-AM luta para resolver crise médica

Manaus – O cenário da rede pública de saúde na capital amazonense reflete um estado de colapso para quem depende de atendimento médico imediato. Relatos de usuários na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) José Rodrigues, localizada na zona Norte de Manaus, revelam uma rotina de desespero, gastos imprevistos e portas fechadas para a população.

A equipe de reportagem do Portal CM7 Brasil acompanhou o drama de diversos usuários que, ao buscarem socorro na UPA José Rodrigues, enfrentaram a suspensão de serviços e foram redirecionados para outras unidades da cidade.

Pacientes em busca de atendimento

Um dos casos que mostram a gravidade da situação é o de um homem que buscava atendimento para realizar a drenagem de um furúnculo na região da coxa. Impedido de trabalhar devido às dores, ele iniciou uma verdadeira peregrinação por diferentes bairros.

Antes de chegar à zona Norte, o paciente já havia passado pelo SPA do Coroado, onde foi informado de que o procedimento estava suspenso. Em seguida, procurou o SPA do Galileia, onde alegaram a falta de cirurgião, e também passou pelo SPA Danilo Corrêa. Ao chegar na UPA José Rodrigues, passou pelo mesmo problema.

“Estou gastando dinheiro para ir de lugar em lugar, um dinheiro que eu nem posso ficar gastando muito. Estou desempregado, tentando resolver esse problema para justamente começar a trabalhar direito. Sem saúde, realmente a gente não faz nada”, desabafou o usuário.

A mesma frustração foi compartilhada por uma jovem que sofreu um acidente de moto e buscava realizar um exame de raio-X no joelho. Após tentar atendimento inicialmente no SPA Danilo Corrêa, ela foi orientada a se deslocar para a UPA José Rodrigues. Ao chegar ao local, a resposta permaneceu a mesma: a falta de profissionais dificultava o procedimento, e ela foi orientada a procurar uma terceira unidade, no bairro da Redenção.

Além da falta de assistência, a paciente criticou o acolhimento na recepção:

“A gente se desloca de local em local, gastando dinheiro com Uber, e chega aqui e é tratada com ignorância, com desrespeito. Só vão jogando o pessoal para outras unidades.”

Segundo ela, funcionários informaram que a própria direção da unidade chegou a comunicar que ninguém mais seria atendido devido à falta de profissionais.

A crise no atendimento de saúde

A triagem na UPA José Rodrigues passou a priorizar exclusivamente casos considerados de extrema urgência, como picos de pressão alta e crises de diabetes. Pacientes com outras complicações, como problemas intestinais, estariam sendo orientados a retornar para casa sem assistência.

A justificativa para a restrição nos atendimentos aponta para a infraestrutura precária e as condições de trabalho dos profissionais de saúde. De acordo com relatos repassados por funcionários aos pacientes, a categoria enfrenta severos atrasos nos pagamentos, chegando a oito meses sem receber salários, o que pode motivar uma possível greve.

A usuária Cristina, que acompanhava a filha em busca de atendimento, relatou o que ouviu na unidade hospitalar:

“A gente tem que ter solidariedade com os médicos, porque quem trabalha quer receber. Você ficar oito meses sem receber, meu amor, não tem quem aguente. E não é culpa deles estar nessa situação, nem dos atendentes, que estão fazendo o que podem”, pontuou Cristina.

Esta situação exemplifica um problema mais amplo na saúde pública local e gera uma preocupação crescente entre a população.

Desabastecimento e dificuldades financeiras

A crise testemunhada na UPA José Rodrigues não é um caso isolado. Em visitas recentes realizadas pela reportagem em outras unidades da rede de urgência, como a UPA do Coroado, usuários informaram que o desabastecimento atingiu insumos básicos.

Naquela unidade, médicos e enfermeiros estariam organizando “cotinhas” para a compra de itens essenciais do dia a dia hospitalar, como máscaras de proteção e dipirona para administração em pacientes internados.

Enquanto o impasse financeiro e administrativo continua, os corredores das unidades de pronto atendimento em Manaus seguem lotados, mostrando um contraste grande entre a proposta do serviço de saúde e a realidade enfrentada pelas pessoas que aguardam por atendimento.