A crise na saúde pública do Amazonas se agrava, destacando a necessidade urgente de soluções. A recente denúncia feita pelo estudante de medicina Efrain Braga, fundador do projeto social Missão Cuidar – AM, revelou a situação crítica no Hospital e Pronto-Socorro Dr. João Lúcio Pereira Machado, uma das principais unidades para tratamento de politraumatismo em Manaus.
No vídeo que se espalhou pelas redes sociais, Efrain critica a gestão estadual, após a unidade de saúde ter atingido sua capacidade máxima. Isso gerou a restrição no atendimento a novos pacientes trazidos pelas ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). As imagens mostram um grande número de ambulâncias paradas, aguardando a liberação de leitos.
“Como estudante de medicina, eu preciso dizer: isso não acontece de uma hora para outra. É consequência de falta de planejamento, estrutura e de organização. E a responsabilidade não pode ser jogada para os profissionais que estão na linha de frente, trabalhando incansavelmente — e ainda mais, sem receber”, declara Efrain.
Colapso no sistema de urgência
O bloqueio do pronto-socorro, que não aceita mais novos casos de politrauma, gera um colapso no sistema de emergência. Com a lotação máxima, as ambulâncias ficam retidas nas portas das salas de emergência, diretamente afetando a rede de atendimento pré-hospitalar que já é fragilizada. Essa situação impede que os veículos retorne às ruas, o que agrava ainda mais a crise de atendimento para a população de Manaus.
“Esse não é um dos primeiros casos, já houve outros momentos em que o João Lúcio atingiu sua lotação máxima”, ressalta o estudante. Ele critica a normalização da superlotação como uma situação aceitável, afirmando que a saúde pública deveria ser tratada com prioridade, refletindo diretamente no uso do dinheiro dos impostos pagos pelos cidadãos.
Condições precárias para os profissionais de saúde
A denúncia de Efrain não para apenas nas condições dos pacientes. Ele também destacou as precárias condições de trabalho enfrentadas por médicos, enfermeiros e demais profissionais de saúde. Apesar da intensa carga de trabalho e pressão, muitos desses profissionais enfrentam atrasos nos salários e a falta de remuneração regular.
Essas condições não só afetam a saúde física e mental dos trabalhadores, mas também refletem em um atendimento cada vez mais deficitário, comprometendo a qualidade do serviço prestado à população.
A responsabilidade do poder público
Efrain apela para que a responsabilidade pelas soluções da crise seja direcionada ao poder público estadual, já que é de sua competência planejar e implementar iniciativas que visem a melhoria dos serviços de saúde. Ele afirma: “O que não podemos aceitar é quando o governo quer fazer algo e a crise já está instalada. Manaus merece respostas e uma solução digna”.
Sem ações efetivas do governo, a população de Manaus continuará a viver com incertezas e riscos, e não podemos mais condicionar a vida das pessoas a situações de emergência.” A voz de Efrain é um eco do clamor por uma saúde pública que funcione, que respeite e trate dignamente os cidadãos, e que valorize aqueles que trabalham na linha de frente do atendimento médico.

