A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou recentemente a presença da cepa chamada “Andes” do hantavírus em conexão com um possível surto a bordo do cruzeiro de luxo MV Hondius, isolado atualmente na costa de Cabo Verde. Esta variante é a única identificada capaz de provocar transmissão entre humanos, mesmo que especialistas alertem que essa ocorrência é rara.
De acordo com a OMS, o hantavírus andino, que tem sido associado a casos limitados de transmissão humana, é a cepa encontrada em pacientes infectados. Essa variante já foi relacionada a surtos anteriores na América do Sul, especialmente na Argentina, de onde o cruzeiro partiu em março deste ano.
O alerta internacional ganhou força após o falecimento de três passageiros e o surgimento de novos casos suspeitos entre os que estavam a bordo. As vítimas incluem um casal holandês e um cidadão alemão, sendo que outros passageiros estão internados, incluindo um britânico que está recebendo tratamento em Joanesburgo, na África do Sul.
Conforme informações do Instituto Nacional de Doenças Transmissíveis da África do Sul, exames laboratoriais confirmaram que a cepa Andes foi a causadora da infecção da passageira holandesa que faleceu e do britânico em tratamento. A investigação sobre o surto também levou as autoridades a considerar a possibilidade de transmissão entre pessoas durante a viagem, apesar de o hantavírus ser tradicionalmente transmitido através de urina, fezes ou saliva de roedores contaminados.
A OMS confirmou que, mesmo a transmissão de pessoa para pessoa sendo incomum, ela pode ocorrer em situações de contato muito próximo. O Ministério da Saúde da África do Sul já iniciou o rastreamento de contatos, identificando até agora 62 pessoas que estão sendo monitoradas. Esse grupo inclui profissionais de saúde e tripulantes de voos que tiveram interação com os infectados, e até o momento, nenhum novo diagnóstico foi reportado.
Com cerca de 150 pessoas ainda a bordo do navio, a situação se complicou quando caboverdianos impediram o desembarque dos passageiros devido aos riscos sanitários. Originalmente, Cabo Verde seria o destino final do cruzeiro, mas a OMS e a União Europeia solicitaram ajuda da Espanha, que se comprometeu a acolher o MV Hondius por razões humanitárias, conforme previsto no direito internacional.
No entanto, essa decisão gerou fricções políticas nas Ilhas Canárias, onde o navio deverá atracar. O presidente regional, Fernando Clavijo, expressou sua preocupação com os impactos sanitários potenciais e pediu uma reunião urgente com o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, para discutir a situação e seus desdobramentos.
Apesar da agitação internacional que o caso provocou, a OMS mantém que o risco para o público em geral continua baixo. As autoridades de saúde continuam monitorando a situação, acompanhando tanto os passageiros quanto os tripulantes até o término do período de incubação da doença.
A propagação de surtos de hantavírus em cruzeiros não é comum, mas este incidente demonstra a importância da vigilância sanitária durante viagens em larga escala. Com a mobilização de diversos países e organizações, espera-se que as investigações continuem até que a situação esteja completamente esclarecida e sob controle.
Por fim, a colaboração entre as autoridades de saúde e os grupos internacionais será essencial para prevenir novos casos e garantir a segurança dos envolvidos, que agora enfrentam não apenas os desafios da doença, mas também as incertezas ligadas a uma viagem interrompida sob condições excepcionais.

