Força feminina do AM: médica Baniwa transforma a saúde indígena

08/03/2026 14:08 08/03/2026 14:08 08/03/2026 14:08
Força feminina do AM: médica Baniwa transforma a saúde indígena

Ilzinei da Silva: A Médica Baniwa Transformando Vidas

A trajetória de Ilzinei da Silva, a primeira mulher da etnia Baniwa a se formar em medicina, é um exemplo de superação e dedicação. Nascida em São Gabriel da Cachoeira, sua vida é uma missão: levar atendimento de saúde aos povos indígenas do Amazonas e garantir que sua comunidade receba o cuidado que merece.

Inspiração e Desafios na Infância

A paixão pela medicina começou na infância. Aos oito anos, Ilzinei viu médicos militares atuando em sua cidade e percebeu o impacto que a saúde pode ter na vida das pessoas. Apesar de crescer em uma família de pais analfabetos e com seis irmãos, ela nunca perdeu a motivação para estudar. A alfabetização chegou de forma tardia, mas o incentivo familiar foi um pilar importante em sua vida.

A Conquista do Diploma

Em 2014, Ilzinei ingressou no curso de medicina da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), mudando-se para Manaus e enfrentando um choque cultural. A graduação, concluída em 2020, coincidiu com a pandemia de COVID-19, um período desafiador para todos os profissionais da saúde.

Determinado a voltar para sua comunidade, Ilzinei atua na Casa de Apoio à Saúde Indígena e como médica militar temporária no Exército Brasileiro. Atender pacientes indígenas requer sensibilidade cultural e, por isso, ela realiza consultas em Baniwa, o que fortalece a comunicação e a confiança com seus pacientes.

Um Futuro Promissor

Além de sua carreira, Ilzinei também construiu uma família, casando-se e tornando-se mãe durante a graduação. O apoio de amigos e familiares foi crucial para que ela superasse os desafios. Para ela, ser a primeira mulher Baniwa a formar-se em medicina é uma conquista que transcende o individual, inspirando outras jovens indígenas a buscarem o ensino superior.

Com planos de se especializar em ginecologia, Ilzinei deseja oferecer um atendimento mais abrangente para as mulheres em sua comunidade, especialmente em áreas como pré-natal e parto. Ela acredita que, ao estudar, também se cuida do povo indígena.

“Quando um indígena chega à universidade, abre caminho para muitos outros”, afirma Ilzinei, reafirmando seu compromisso com a educação e a transformação social.